Qual foi o período mais longo que você passou assistindo a um mesmo anime? Se a resposta para essa pergunta for dada por um fã de One Piece, a resposta seria: 22 anos. Esse é o tempo que a série animada está no ar – e, recentemente, a marca de 1000 episódios foi superada.
Aliás, tudo que cerca One Piece parece ser superlativo. O mangá, por exemplo, já chegou aos 101 volumes e é publicado há 24 anos. É também o mais vendido da história, sendo que até julho de 2021 havia 490 milhões de cópias em circulação por 58 países em todo o mundo.
Diante disso, é natural que surja uma dúvida: qual é o segredo para se manter tanto tempo em evidência e reunir uma base de fãs tão apaixonada?
Personagens marcantes
Para compreender o sucesso de One Piece é necessário, antes, entender sua premissa. A obra criada por Eiichiro Oda conta a história de Monkey D. Luffy, um garoto cujo sonho é se tornar um pirata, conhecer o mundo e colocar as mãos no tesouro mais valioso que existe: o One Piece. A ideia é seguir os passos de um ídolo de infância seu, o pirata Shanks, e alcançar o posto de Rei dos Piratas.
A questão é que Luffy não é um garoto normal. No universo de One Piece, há as chamadas Frutas do Diabo, que concedem poderes a quem as come. Quando criança, Luffy acabou comendo por engano uma dessas frutas e, como resultado, ele ganhou um corpo de borracha, sendo capaz de esticar seus membros e absorver impactos que não sejam perfurantes.
Ainda jovem, Luffy parte da ilha que mora, no mar de East Blue, e vai em busca de seu sonho. A bordo de um pequeno barco, tudo que ele leva são algumas provisões, um chapéu de palha – presente de Shanks – e que será um item crucial e pelo qual ele será conhecido e, claro, seus poderes de “homem borracha”.
Ao longo da jornada, Luffy vai conhecendo outros personagens e engrossando a sua tripulação com eles. É aí que entram em cena a ladra Nami, o espadachim Zoro, o atirador e mestre da mentira Usopp, o cozinheiro Sanji, entre outros – não vamos citar todos os nomes aqui para não corrermos o risco de darmos spoilers.
E aqui temos o primeiro segredo da longevidade da obra: mesmo que Luffy seja o protagonista e “salve o dia” em diversas situações, todos os personagens do seu bando são extremamente bem construídos a ponto de haver episódios nos quais Luffy sequer aparece.
Com essa caminho, a obra de Oda permite que seus leitores e espectadores se afeiçoem a personagens diferentes, sem que se sintam “de lado” com o decorrer da história.
Narrativa surpreendente
Criar uma história de boa qualidade, por si só, já não é fácil. Imaginem então manter o ritmo e o alto nível por mais de duas décadas.
One Piece “mata a pau” nesse quesito. É claro que quem acompanha a saga de Luffy e dos seus companheiros provavelmente tem algum arco preferido, ou alguma passagem da história que não goste. Só que dificilmente alguém vai falar que, mesmo sua passagem menos preferida, é ruim.
Ter uma história coerente e, acima de tudo, com elevado grau de qualidade mesmo em seus momentos baixos é um dos grandes trunfos de One Piece para se manter relevante por muito tempo.
Fora isso, ela vai muito além da simples aventura de Luffy. É uma narrativa sobre liberdade e com altas doses de política. Ainda que Luffy e seus companheiros tenham em outros piratas seus inimigos, o antagonismo central fica por conta de duas entidades extremamente opressoras: o Governo Mundial e seu braço militar, a Marinha.
Mais do que um agente de manutenção da ordem, o Governo Mundial age de forma ditatorial e, inclusive, detém o controle sobre o que pode ou não ser contado da história do mundo. Obviamente, ele combate a existência de piratas que, em seus conceitos mais primordiais, representam a luta pela liberdade.
É uma característica que torna a história de One Piece atemporal. É muito fácil traçar paralelos quando a obra foi lançada, há mais de 20 anos, assim como é igualmente simples relacionar a obra com o que acontece nos dias atuais.
Se você acompanha One Piece e já está com aquele sentimento de medo da história acabar de forma abrupta, pode manter a calma. Isso porque, segundo Oda, o fim de One Piece ainda está longe de acontecer. Em uma entrevista concedida em 2019, o autor afirmou que o mangá de One Piece deve terminar entre 2024 e 2025 – e, consequentemente, o anime leva algum tempo depois para ter sua conclusão.
Isso é bastante curioso, uma vez que Oda planejava que sua obra iria do início ao fim em apenas cinco anos.
Dada a dimensão que One Piece tomou ao longo do tempo, Oda acabou colaborando com outros nomes famosos do universo dos mangás e animes. Um desses nomes foi Akira Toriyama, criador de Dragon Ball. Essa colaboração aconteceu em dezembro de 2006 e foi publicada na revista Weekly Shonen Jump. Outra dobradinha foi com Mitsutoshi Shimabukuro, criador de Toriko, que rendeu uma história publicada em 2006 na mesma revista.
Quebrando barreiras
Como é tradição em obras desse porte, One Piece originou diversas criações que extrapolaram os mangás e animes. Um exemplo são os videogames.
O primeiro deles foi From TV Animation – One Piece: Grand Battle!, game lançado no Japão em 2001 para PlayStation – com a versão europeia chegando em 2003. De lá para cá, foram 56 games em diversas plataformas, sendo que 11 deles são para dispositivos móveis. Fora isso, os personagens da série aparecem em outros games, como Jump Force, lançado em 2019 para PC, PlayStation 4 e Xbox One.
E, claro, há uma série de colecionáveis e outros itens licenciados de One Piece. A lista inclui uma coleção de bonecos da Funko, estátuas e diversos itens. De 1999 até 2020, estima-se que a obra já tenha vendido mais de 5,5 bilhões de dólares em produtos relacionados.
Agora, você se engana se acha que a busca de Luffy para ser o rei dos piratas deverá continuar apenas nos mangás e animes. One Piece deverá ter uma novidade em breve: uma série em live-action. A produção será transmitida pela Netflix, mas ainda não há data para sua estreia.